Ana Cristina

Ar morno de sol de domingo, ruído suave de água de fonte, pássaros cantando voam o tempo lento das árvores na luz do vento. Loucos circundam, circulam a fonte, sonolentos. Uma menina de olhos brilhantes surge determinada, trazendo pela mão uma mulher relutante. “Como você chama? Essa é minha mãe, Tânia”. Me dá um beijo no rosto, sorri um sorriso doce e diz que sou bonita. Me conquista assim, no meu sono morno domingueiro.
Olhos verdes e pele tatuada, com trança de raiz roxa em espiral na têmpora esquerda, deixa comigo a mãe e volta às suas voltas, a conhecer os visitantes dos outros perturbados.
Então retorna e senta na grama com o cigarro aceso sem filtro. Sorri um sorriso triste, me olha com olhos transparentes e diz que “pessoas loucas são mais sensíveis”. Mostra como um troféu as marcas escuras de confinamento, tornozelos e pulsos, do castigo de quem beijou ali um louco igual a si.
“E como você chama?”. “Ana Cristina, tenho três irmãs… todas Anas”.
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